
A viagem a Passo Fundo e Guaporé não foi apenas andar de carros e corrida na pista de Guaporé. A parte gastronômica foi também importante, ainda mais porque o grupo teve a oportunidade de saborear comida típica do Rio Grande, o que convenhamos não é tão fácil assim.
Fomos recebidos na Fazenda da Família Graeff onde se produz soja, milho, sorgo e onde existe uma pequena quantidade de ovelhas, aquelas de pés pretos. Os Graeff são parceiros do nosso anfitrião Paulo Trevisan do Museu do Automobilismo Brasileiro.
A sede da fazenda é uma coisa linda e de uma simplicidade elegante, em cada canto uma pick-up antiga, algumas deterioradas e outras impecáveis, mas todas tão bem dispostas parecendo um diorama. A foto acima foi tirada em frente à oficina. É uma oficina antiga onde além de ferramentes e equipamentos tem uma pick-up Ford 29 impecável e quase fazendo parte da decoração. Dá a impressão de uma fotografia e que os carros irão para a lida imediatamente.
Em frente, há um pavilhão com piso quadriculado em preto e branco como se fosse uma bandeira de chegada e lá dentro mesas, balcão e churrasqueira e Fords e Chevrolets alinhados em lados opostos. Todos da década de 20 e alguns preparados para corrida, uma coisa maravilhosa, e olhem que sou famoso por não gostar muito de carro antigo. Um ambiente e tanto para quem gosta de automóveis e um bom papo. E o melhor que todos torcem para o Palmeiras embora se digam Gremistas, mas isso é para disfarçar.
O melhor da festa não é apenas o ambiente, é a ovelha assada na grelha. O Sr. Oscar, o patriarca da família, me explicou como se faz, e o resultado foi surpreendente para mim que nunca comi ovelha na vida e explico porque. Minha família da parte italiana era fanática de cabrito, disputavam a tapa a cabeça em almoços e jantares de natal e ano novo. Nunca gostei de cabrito e passei essa coisa para cordeiro, ovelha e assemelhados e acho que perdi bastante coisa.
Na fazenda Graeff foi a primeira vez que comi ovelha e devo dizer que estava deliciosa, coisa de comer rezando. O mais gozado foi a gafe que cometi quando me serviram a ovelha e eu perguntei se era leitão, paulistano é burro mesmo, é convidado para um churrasco de ovelha e pergunta se é leitão. Na minha defesa, achei que o aspecto era de leitão, não pela gordura que não tinha, mas havia uma espécie de pururuca e a besta aqui achou que era leitão. O Saloma que é um dos nossos "turcos" estava sem apetite e comeu apenas metade de uma ovelha, precisamos arrumar um pouco de biotônico para abrir o apetite dele.
Meu agradecimento a família Graeff que abriu sua casa e nos recebeu como reis. E uma ameaça: se me convidarem de novo eu vou.