Formula Vee Brazil

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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Spyder na Pista












Esse carro foi construído em minha garagem pelo escriba aqui. Foi a seguir enviado à Garagem da Coruja Competições do piloto Roberto "Coruja" Amaral que arrumou as besteiras feitas na montagem e mandou pintar o carro no Pavão em Interlagos.

O carro foi preparado levando em conta o amadorismo do piloto, inicialmente um motorzinho meia boca que durou um tempo. Em seguida preparamos um mais fortinho, mas duradouro, durou 22 corridas e foi reformado, jamais quebrou.

Os cabeçotes são normais, apenas rebaixados para uma taxa de 13:1 usando álcool, um ano corremos de metanol, mas depois foi proibido. O Coruja não achou interessante gastar dinheiro com preparo de cabeçotes, Interlagos não tem retas mais e as válvulas menores dão mais torque em baixa. Ele só andou mexendo no ângulo das válvulas com um equipamento que ele tem. Uma coisa muito simples, mas que o camarada precisa saber fazer, não tenho a menor idéia do que ele fez, embora tenha visto. Só sei que o motor mudou muito depois dele mexer no ângulo das válvulas.

O comando nem lembro qual é, só lembro que fomos buscar no Amador. É um Engle equivalente a um P2, gira uns 6200 no final da subida dos boxes e sobe muito pouco depois.

As válvulas não são duplas, essas molas que os caras vendem por aí vivem quebrando. Compramos molas de Audi Turbo, não enchem o saco. Pode até ser que não permitam que o comando gire mais, mas não precisa, o carro foi cronometrado a 195 km/h na freada do S do Senna e está muito bom. O carro sempre andou mais que o piloto.

O resto é Webers, câmbio acionado por cabos, discos nas quatro, pedaleira de Espron em alumínio billet usinado com dois burrinhos de freio, regulável, e embreagem hidráulica.

O carro também tem uma mandracada na suspensão traseira. Soldamos uma chapa no chassis e com um furo. Na manga sai um terminal de Omega e que entra no furo da chapa e é preso por uma porca. Monta-se o carro com a cambagem levemente positiva e aperta-se o parafuso do terminal até se chegar à cambagem negativa desejada. Isso impede que o carro feche as rodas, mantem a cambagem sempre negativa e pré-tensiona as barras de torção. No Bico de Pato se fizer o traçado correto a roda de dentro patina por falta de blocante, mas optamos por mudar o traçado e fazê-lo errado para evitar que a roda patine, o que devia horrorizar os bandeirinhas. Era em uma curva apenas e não se perde muito tempo nela, no resto o carro vira um kart.

Na dianteira freios de Tempra ventilados com pinças de Santana, as mangas são de Espron e na traseira discos de Brasília e pinças também. Suspensão dianteira com 0,5 gráu negativo de cambagem, que na minha opinião é a que dá os melhores resultados, a maioria dos carros que usam suspensão de fusca andam com cambagem de 3 negativos, um absurdo e fruto de piloto amador e preparadores preguiçosos. O cara chega falando que o carro sai de frente e o preparador já sai entortanto os bracinhos.

O falecido Nenê, Carlos Alberto Amaral, inventou de fazer um escape do tipo megafone que muda completamente o barulho do motor VW e ainda usou e aproveitou uma aranha com todos os tubos de comprimento igual. É impressionante o que esse escape afina o motor, uma obra de arte. O Nenê inventou de fazer esse escape porque tinha visto uma fotografia velha dos 550 spyders em Le Mans acho. Fez de memória e foi soldando lata, em um dia estava pronto.

Corremos de 2000 a 2003 com o spyder sem nenhum problema, acho que terminei quase todas as corridas. Em 2002 fui vice-campeão e em 2003 fui campeão da Fórmula Classic Light. Sem dúvida, tivemos muito sucesso pelo que foi investido, muito menos que a maioria gasta para fazer canhões que quebram.

Essa é a questão. A maioria dos pilotos são amadores completos, correm uma vez por mês, sequer sabem aproveitar o que o carro anda e demora para aprender com apenas 11 corridas por ano. Nesse ponto o Coruja sempre foi certo, nunca foi na minha para preparar um motorzão, mudar relação, falava para primeiro andar, mostrar serviço que aí sim ele aumentaria a potência ou mudaria alguma coisa. Ficar mudando o carro, mesmo para melhor, também deixa o piloto perdido. Piloto amador e motor muito preparado é o caminho do desastre.

No final, não aumentamos a potência de 2002 para 2003, quase todas as coisas que eu queria em 2000 e 2001 acabamos não fazendo porque não precisava, eu fui melhorando e passei a aproveitar melhor o carro.

12 comentários:

Francisco J.Pellegrino disse...

Zullino, grande aula, nem me passa pela cabeça aos 61 anos andar na pista....mas as tuas informações são valiosas. Parabéns e escreva mais...a curiosidade aumenta na medida das suas postagens.

Mestre Joca disse...

Ora, ora, ora, né Seu Zullino?

Então resolveu dar o ar da graça na blogosfera também? Já tinha passado da hora; seja bem-vindo e já adicionei à minha leitura diária.
As dicas sobre a preparação do 550 Spyder (não chamen de Porsche que o "homem" não gosta...)e o posicionamento sobre os pilotos amadores estão absolutamente perfeitos. O exemplo aí está, segue quem quiser. Ou tiver juízo.

Grande abraço,

roberto zullino disse...

Prazer em tê-los aqui Pellegrino e Mestre Joca.
Fiz o blog mais para hospedar fotos e textos, mas sempre é bom ter um espaço a mais para escrever.
Abs,

Luís Augusto disse...

Grande Zullino! Belíssima iniciativa! É sempre bom ver os antigos pela ótica de quem entende do riscado.
Abrção

roberto zullino disse...

Obrigado Luís, tive que abrir o Blog por tua causa, você fechou o teu. Onde vamos arrumar barracos?

Luís Augusto disse...

Que é isso, cara, o meu era um lixo perto disso aí e só surgiu porque não havia nenhum. Agora não precisamos mais dele.
Ah, por que não pinta essa Spyder de verde com faixa amarela? (hahahaha)!

Joel Marcos Cesetti disse...

Roberto bela iniciativa!e bom blog também.
A idade não quer dizer nada,o que interessa é fazer o que gosta e curtir muito com se fosse um garoto.

abs

roberto zullino disse...

Obrigado Joel, eu acordo sempre com 18 anos e saio fazendo merda. Lá pelas 11 vou me lembrando da idade e sossego o facho, hahahaha.

Luis, eu vou pensar em pintar de verdinho com a faixa amarela, esse prateado já encheu.

M disse...

Zullino,
A estória das válvulas é o seguinte: Nos carros de rua, o ângulo de assentamento usado é de 45 graus.
Nos motores de pista, quem conhece usa 2 ângulos, 30 e 60 graus. Isto melhora MUITO o enchimento da câmara de combustão. Mas há uma tendência em queimar as sedes num curto espaço de tempo, o que não chega a ser problema em nestes motores, porque são feitas revisões periódicas.
Quanto ao tamanho das válvulas, em geral, quanto maior, melhor.
Principlamente nos cabeçotes de VW ar, que são prejudicados de nascença.
PORÉM, isto só pode ser verificado e aferido em um banco de fluxo.
Mas esta estória de que válvulas pequenas dão mais torque em baixa é pura lorota !

roberto zullino disse...

M,
Com Interlagos como está, ou seja, um kartódromo, os cabeçotes originais dão conta, principalmente em um carro leve e com conjunto. Se o camarada tiver dinheiro pode preparar os cabeçotes fica melhor ainda, o problema é que 3 mil aqui, 1 alí e mais outro acolá dá uma integral de xdx enorme.

O espírito da coisa é mostrar que carro é conjunto, não precisa necessariamente torrar uma grana. Principalmente, porque os novatos não conseguem tirar do carro e do motor, muito ao contrário, acabam arrebentando a máquina.

Já vi neguinho fundir na largada porque estava tão aterrorizado que não passou para segunda.

M disse...

Tá !
Mas estas bestas nem poderiam estar lá !
Tem a carteira por pura irresponsabilidade dos FDP da FASP e CBA.
Mas todo show precisa ter figurantes, né ?
O que eu digo é que potência depende dos cabeçotes, válvulas e comando.
Enchendo melhor o cilindro, tem mais cavalos !
Se o animal não sabe guiar, que se mate logo...

roberto zullino disse...

Esquece M, automobilismo virou esporte de velhos. Pode ver nas etapas do Paulista, só tem nós e os caras que vemos há 50 anos.
Não tem mais molecada como antigamente. Isso acabou e era o que oxigenava o sistema.
Uma parte desses chamados "velhos" está realizando sonhos, apenas isso.
Precisam ser orientados para que não tenham pesadelos financeiros ou de saúde.